O matemático contador de histórias

O matemático contador de histórias

A rigidez e racionalidade de um matemático e economista, que durante boa parte da vida trabalhou com auditoria externa e Tecnologia da Informação (TI), são quebrados com a sensibilidade e as histórias de vida de algumas crianças. Essa é parte da história de Guido Spena, que há um ano e oito meses trabalha como voluntario com crianças do Lar Amor Luz e Esperança da Criança (Lalec).

Tudo começou com a vontade de ser mais atuante na sociedade. Inicialmente, seu desejo era trabalhar com crianças hospitalizadas, já que tinha receio do forte apego que poderia criar com crianças de abrigos.

“Como fiz um tratamento de quimioterapia, fui desestimulado pela minha médica a atuar com crianças hospitalizadas, pois, com imunidade baixa, poderia adoecer por conta de alguma doença oportunista”, relembra.

Mas o mundo dá muitas voltas e oferece novas e diferentes oportunidades para as pessoas. E foi assim que surgiu a chance de se tornar voluntário em um lar de acolhimento, o que inicialmente era um receio pessoal.

Guido, contudo, não sabia muito bem por onde começar. Foi por meio de um programa social promovido pela empresa que trabalha, as Lojas Pernambucanas, que logo surgiram duas oportunidades: o Instituto Fazendo História e o Lalec.

Mãos à obra

A vontade de ajudar veio junto com uma grande dificuldade: Guido não tinha experiência nenhuma com crianças pequenas. Todavia, a energia contagiante dos pequenos e dos outros voluntários foi tão intensa que logo se sentiu acolhido e à vontade.

A vocação em lidar com as crianças veio junto com outra habilidade: a de produzir álbuns. Por meio deles, o Lalec consegue contar a história de algumas crianças acolhidas. “Justo eu, que sempre fui tão racional, fui trabalhar com a produção de álbuns e lidar com o lado emocional das crianças”, conta.

No Instituto Fazendo História, Guido tem um encontro semanal e produz em cada encontro o álbum de duas crianças. Já no Lalec o trabalho é mais amplo. “Se precisar, dou banho nas crianças, faço a faxina grossa, dou comida e faço o que precisar. Isso leva a manhã toda do sábado, mas é um passatempo, acho que mais recebo do que dou”, acredita.

 

O álbum

Álbum é uma tentativa de registrar a memória afetiva da criança no período de acolhimento no abrigo. Em algumas situações, algumas delas chegam muito abaladas emocionalmente. Dessa forma, contar um pouco de suas histórias no abrigo acaba se tornando um recorte positivo da vida delas.

“O álbum é feito no período de acolhimento e é finalizado justamente quando essa criança é desacolhida, ou seja, quando retorna ao lar da família biológica ou é encaminhada para uma nova família adotiva, que recebe o material”, explica.

Ah, lembra do receio do Guido de se apegar demais com crianças de abrigos? Isso se transformou em prazer de saber que as crianças ganham uma segunda chance estão sendo acolhidas da melhor maneira seja novamente pela família biológica ou por uma família adotiva.